quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Eduardo e Mônica.

Quem um dia irá dizer que existe razão, nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão? Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram. Enquanto Mônica tomava um conhaque no outro canto da cidade, como eles disseram. Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer, um carinha do cursinho do Eduardo que disse: "Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir". Festa estranha, com gente esquisita, "Eu não tô legal", não agüento mais birita" e a Mônica riu, e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar e o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa "É quase duas, eu vou me ferrar". Eduardo e Mônica trocaram telefone, depois telefonaram e decidiram se encontrar, o Eduardo sugeriu uma lanchonete mas a Mônica queria ver o filme do Godard, se encontraram então no parque da cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de "camelo", o Eduardo achou estranho, e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo. Eduardo e Mônica eram nada parecidos, ela era de Leão e ele tinha dezesseis, ela fazia Medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud e o Eduardo gostava de novela e jogava futebol-de-botão com seu avô. Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação e o Eduardo ainda tava no esquema, escola, cinema, clube, televisão e mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente uma vontade de se ver e os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia, como tinha de ser. Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato, e foram viajar, a Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar. Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar (não!) e ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular. E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos, muitas vezes depois e todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. Construíram uma casa há uns dois anos atrás, mais ou menos quando os gêmeos vieram. Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram. Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília e a nossa amizade dá saudade no verão, só que nessas férias, não vão viajar, porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação. E quem um dia irá dizer que existe razão, nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão? ( ♫ )

- Sabe cara, Eduardo e Mônica são o casal mais famoso no Brasil, talvez porque eles eram tão diferentes um do outro, mas davam tão certo, e como a música mesmo diz: "E todo mundo diz que ele completa ela e vice-e-versa", precisa de alguma frase melhor? Eu acho que todo casal se completa, o que falta em um, tem no outro, e é por isso que certos casais dão certo.
Mas os casais dão certo, pelo simples fato, de que um sabe exatamente do que o outro precisa e do que o outro gosta, mesmo rindo da sua cara eternamente por levar um susto em um filme bobo de terror, ou por te ver chorando no final de um romance bobo que você garota tanto gosta e você garota, vai dar risada da cara de frustrado dele, quando ganhar no joguinho de luta, só apertando a letra "a", enquanto ele, bolou todos os ataques na cabeça e você vai ir da cara dele e enquanto forem vivos, você vai jogar isso na cara dele, mas vocês vão rir de tudo isso, e vão fortalecendo o amor de vocês, cada dia mais, porque além de namorados, vocês são melhores amigos, e é isso que mais importa para que o amor seja cada vez mais forte.

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